Bem-vindos!

Toda noite, antes de dormir, penso em vocês, e programo algo bem bonito para postar. Assim, vou dormir feliz, com pensamentos bons.
No dia seguinte, após acordar e fazer o que costumamos fazer nas manhãs, sento-me e posto algo bem bonito para vocês.
Assim, meu dia começa bem!

segunda-feira, 26 de março de 2012

O Céu de Setembro- Paulo Afonso Grisolli (ilustração Juarez Machado)

quando fui ao observatório, minha filha de 5 anos teve medo de espiar marte através do imenso telescópio. mesmo depois que a tomei pela mão, e, ao seu lado, enviei meu olho direito a devassar as insondáveis distancias, ela preferiu não ver.
Deve estar com Medo de enxergar algum marciano fazendo sinaizinhos para ela-comentou  um abominável adulto ( ..) mas como explicar que não é preciso seres antropomórficos para temer, na mítica realidade infantil, a cósmica realidade  de Marte, o mito? nem mil telescópicos mais potentes do que aquele bastariam para que esse pobre adulto pudesse perceber o que seu olho nu de desalmado não lhe permitia enxergar: a pródiga mensagem que nos transmitíamos, a mão na mão, meu olho posto do espaço, minha filhinha com a alma a navegar por seus mistérios, nós dois, filha e pai, cúmplices numa realidade insondável do amor, do mistério e do infinito...
Depois o astoronomo chamou-me para ver a maravilha: um pontículo vagamente luminoso que focado pelas lentes prodigiosas transformam-se num aglomerado soberbo de estrelinhas longínquas e silentes:
- Essa luz que estamos vendo agora atravessou 22000 anos -luz para chegar até nós.
havia emoção na voz do devassador do céu de setembro.
então, olhei e calei. em silencio, como eu, minha filha, desta vez quis olhar a lonjura luminosa e deteteve-se ali a ponderar só com ela os pontinhos de luz.

(..)
agora leio no jornal a reclamação de um leitor: não sendo capaz de entender o non-sense que Juarez Machado faz publicar aos sábados no JB sugere que se publique simultaneamente, numa outra página, a solução do mistério, a tradução lógica da proposta que lhe parece meramente charidística.
no silêncio, solidarizo-me com Juarez. como explicar que não há nada a explicar?
(..)
ao ruído de suas encenações, prefiro o silêncio entre mim e minha filha diante da imagem engrandecida de marte. nada a explicar. sobre o céu de setembro não há explicações necessárias.

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