Bem-vindos!

Toda noite, antes de dormir, penso em vocês, e programo algo bem bonito para postar. Assim, vou dormir feliz, com pensamentos bons.
No dia seguinte, após acordar e fazer o que costumamos fazer nas manhãs, sento-me e posto algo bem bonito para vocês.
Assim, meu dia começa bem!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Lembranças

Bom dia!
Todos nós temos lembranças da infância. E, creio, que, se por acaso sou escritora isso se deve à casa de minha avó paterna. Aos dez anos meus pais foram pra Europa, passaram 3 meses por lá, e eu fiquei com minha avó. Avó e tia solteira. Não saía de casa pra nada. Fui apenas uma vez ao cinema. Outra vez, minha avó convidou minha amiga pra almoçar. Fora isso, era eu com duas velhas de antigamente. Velhas de antigamente costuravam, ouviam novelas pelo rádio, dormiam depois do almoço. 
E eu não me aborrecia! 
Eu inventava histórias com seus objetos. Ah! eram lindos! O meu predileto, certamente, era uma carruagem, enorme.  Devia ter 60 cm de comprimento por uns 30 de largura. A base , certamente , tinha mais de dez cm de altura. Era uma carruagem! Acho que 4 cavalos. Dois valetes, um cumprimentava a "princesa" ou duquesa que estava à janela. Outro , empertigado, segurava as rédeas. Um cachorro se deitava na grama da base. A princesa era linda! seu vestido de renda, uma flor entre os seios.  

Ah! quantas histórias inventei! Romances e aventuras! O que ela estava fazendo lá, sozinha na carruagem? Seria aquele valete um nobre que pedia sua mão em casamento? E o cachorro? a quem pertencia? 

Esse magnífico objeto ficava sobre uma mesa mais maravilhosa ainda. Era toda machetada, pedacinhos de madeira entremeados de madrepérola.. Madrepérola! Essa palavra era mágica para mim! Significava tudo de bonito e fantástico que poderia existir no mundo! 

A mesinha ,na realidade, era uma grande caixa com pernas, pois seus quatro lados se abriam, e, por dentro, era toda de espelho! 

Ambos se foram antes do tempo. Minha avó e tia ficaram mais velhas ainda, e, aos poucos, foram vendendo os belos objetos pra se alimentarem e pagarem as contas. Tudo discretamente. Não pediam ajuda. Um dia, íamos visitá-la e percebíamos um vazio na parede. Um espaço entre dois livros. A sala mais escura.
E assim sumiram a mesa e a carruagem. 
Mais tarde, depois da morte de minha avó,vi em uma vitrine uma réplica daquela carruagem e gritei! Réplica, pois era igual só que em tamanho menor. Meus olhos brilharam de saudades de minha avó.

Não encontrei a "minha" carruagem na rede, mas vi que era um tema recorrente. Acho também, que a da minha infãncia fosse da Companhia Royal Dux Bohemia pois o estilo lembrava muito essa AQUI  embora fosse colorida com esta do Casamento de Napoleão 

Ou com detalhes em dourado como ESTA

Bem, talvez algum dia eu reveja a carruagem. Se não, vou acrescentando a ela mais detalhes, mais mágica e poesia e vão acreditar! Colocarei uma coroa de flores na cabeça do cão, acrescentarei mais um. A mão enluvada da senhora da janela terá muitos anéis de opala e madrepérola verdadeiros! Assim, como eram na minha imaginação de criança.








 

2 comentários:

  1. Hoje é o segundo relato que leio com sabor de memórias de infância envolvendo avós e fantasias. Me delicio com isso.
    Lembrei dos objetos de porcelana da casa da minha mãe.
    Boa semana!

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  2. A gente vai ficando velha e começa a relembrar para fazer sentido, é o que acho. Pra saber se é verdade mesmo.

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